Adjuvantes de Calda de Agroquímicos: Exemplos Práticos de Avaliação da Qualidade Através de Efeitos Visuais
Engº Agrº Manoel Ibrain Lobo Junior .'.
Consultor em Tecnologia de Aplicação
Auditor GlobalGAP IFA
lobo@pulverizador.com.br
+55 11 94171-1117
Skype: manoel.lobo
Considerações Iniciais
Estima-se que em média as perdas por evaporação e deriva nas pulverizações estão entre 30% a 40% do total dos defensivos agrícolas aplicados em todas as fases dos tratamentos químicos realizados pelos produtores em diversas culturas comerciais. Essas perdas dos produtos químicos para fora das áreas de aplicação poderão atingir diretamente as áreas sensíveis próximas (florestas, rios, lagos, etc), colocando em risco a segurança da equipe operacional e do meio ambiente.
Dentre todas as novas tecnologias desenvolvidas nessa área objetivando o aumento da qualidade nas pulverizações, através da redução das perdas, merecem destaque as novas pontas de pulverização com indução de ar (sistema venturi de segunda geração) e o uso de adjuvantes de calda "Redutores de Deriva".
Essas novas tecnologias "trabalhando em simbiose" e sendo corretamente utilizadas, possibilitam a redução da deriva nas pulverizações, que estão entre 30% a 40% para menos de 5% do total aplicado.
Atualmente no Brasil existem sendo comercializados na área agrícola cerca de 150 diferentes tipos de adjuvantes de calda (óleos minerais e vegetais, organo-silicones polímeros, lecitinas, glicerinas, dentre outros). No mundo todo existem mais de 3.000 tipos de adjuvantes de calda. Somente nos Estados Unidos da América existem mais de 250 fabricantes com mais de 500 produtos registrados.
Levando-se em consideração que os grandes grupos agrícolas estão buscando uma maior adequação dos processos de aplicação de agroquímicos às normas internacionais de qualidade ambiental, é possível prever para os próximos anos um aumento significativo nas vendas desses adjuvantes e consequentemente, o surgimento de muitas novas fabricantes interessadas nesse grande mercado, ainda totalmente aberto.
Somente para a cultura da Soja, algumas empresas fabricantes estimam, para cálculo de sua participação futura nesse mercado, que as vendas totais para os próximos 10 anos poderão chegar a 200 milhões de dólares anuais.
Em qualquer mercado existem as empresas que fabricam com qualidade os seus produtos, objetivando atender às necessidades dos seus clientes, mas também existem outras que não se preocupam, nem demonstram interesse nesse compromisso. Nessa área de adjuvantes é a mesma coisa, então surgiram alguns testes práticos que poderão "sinalizar", através de simples efeitos (redutor de deriva, antiespumante, regulador de pH, espalhante, adesivo, etc), se o adjuvante vai atender ou não as necessidades dos produtores agrícolas durante as aplicações de agroquímicos.
Os produtores agrícolas, gerentes de fazendas, operadores de pulverizadores, preparadores de calda, enfim, profissionais que trabalham durante todo o dia nessa área de pulverização, estão aprendendo a fazer esses testes simples de avaliação da qualidade dos adjuvantes e, em função disso, estão escolhendo corretamente os bons adjuvantes, dentre as centenas de marcas que existem no mercado brasileiro.
Avaliação da Qualidade dos Adjuvantes de Calda
Através dos hiperlinks abaixo é possível visualizar a diferença nos efeitos de espalhamento entre a gota da água e a gota "condicionada pelo adjuvante" sobre uma superfície de folha extremamente serosa.
http://www.ars.usda.gov/SP2UserFiles/Place/36071000/video/2-Waxy_leaf_side_view_no_surfactant.wmv
http://www.ars.usda.gov/SP2UserFiles/Place/36071000/video/4-Waxy_leaf_side_view_surfactant.wmv
Através dos hiperlinks abaixo é possível visualizar a diferença nos efeitos de "quebra de tensão" entre a gota da água e a gota "condicionada pelo adjuvante" sobre uma superfície de folha extremamente pilosa.
http://www.ars.usda.gov/SP2UserFiles/Place/36071000/video/6-Hairy_leaf_sideview_no_surfactant.wmv
http://www.ars.usda.gov/SP2UserFiles/Place/36071000/video/8-Hairyleaf_side_view_surfactant.wmv
Os testes acima, realizados por empresas fabricantes dos Estados Unidos, poderão ser também realizados por quaisquer outros profissionais da área agrícola no Brasil.
Apesar de ser um simples teste visual de espalhamento, através dele é possível prever o que vai acontecer com as gotas da pulverização sobre a superfície serosa (e pilosa) das folhas das plantas de diversas culturas.
Vídeo abaixo: Testes recentemente realizados com adjuvantes de calda de última geração. É possível visualizar nitidamente o efeito hidro-repelente da camada extremamente serosa da folha da Couve nas gotas de água.
No vídeo abaixo a calda "condicionada" pelo excelente adjuvante possibilita a total "quebra da tensão" superficial entre as gotas produzidas e a camada serosa da folha da Couve.
Exemplos de Avaliação Visual de Adjuvantes
Efeitos visuais práticos a serem observados:
1º) Estabilidade Química e Solubilidade;
2º) Espalhamento e Aderência;
3º) Redução do pH;
4º) Controle da Espuma;
5º) Redução da Deriva em Bancada (Ambiente Controlado);
6º) Redução da Deriva em Campo (Simulação de Pulverização);
7º) Avaliação da Qualidade das Gotas Condicionadas.
Estabilidade Química da Formulação e Solubilidade em Água
A boa estabilidade química dos adjuvantes de calda e a perfeita homogeneização dos compostos químicos nas formulações, são as características inicias a serem observadas em uma avaliação da qualidade de um adjuvante de calda.
É comum os adjuvantes de calda ficarem armazenados durante alguns meses nas fábricas e a sua capacidade de manter a formulação estável por um bom "tempo de prateleira", normalmente alguns meses, é uma das características mais desejáveis pelos produtores agrícolas.
Foto abaixo: Adjuvante de calda e a instabilidade visual dos seus compostos. é nítida a separação dos seus compostos.
Além do "tempo de prateleira", os adjuvantes também não reagem bem às altas temperaturas externas durante os trabalhos em campo, com a exposição direta ao sol (temperatura acima de 30 graus).
Não é possível afirmar que essa separação dos compostos vai afetar a eficiência dos adjuvantes nas aplicações reais em campo, mas coloca um ponto de interrogação na sua capacidade de "manter a calda de agroquímicos estabilizada", que também é um efeito muito desejado nesses produtos pelos produtores.
Fica evidente na foto abaixo, avaliando visualmente a outra amostra de adjuvante, que também esse produto precisa ter a sua eficiência monitorada continuadamente através do acompanhamento das pulverizações em campo. A separação "um pouco mais gradual" dos seus compostos coloca em dúvida a sua capacidade de homogeneização da calda de pulverização.
Na foto abaixo a amostra do adjuvante manteve uma perfeita estabilidade de seus compostos, mesmo após um longo período armazenada na prateleira. Apesar desse produto apresentar uma formulação estável, esse fato também não significa que os outros efeitos desejáveis apresentem a mesma eficiência em condições reais de aplicação em campo.
Mais Exemplos de Avaliações Visuais
Na foto abaixo podemos visualizar a rápida homogeneidade da calda condicionada pelo adjuvante (dose de 50 ml/100 litros de água). Quanto mais rápido o adjuvante se misturar na água da pulverização, mais rápido será seus efeitos benéficos nos agroquímicos a serem aplicados. O condicionamento da água, antes da adição dos agroquímicos, possibilita a completa "limpeza" e o condicionamento apropriado para uma melhor estabilidade química dos compostos, possibilitando um maior tempo de "vida útil" dos produtos no tanque dos pulverizadores.
Nas fotos abaixo, através da análise visual, é possível constatar uma maior dificuldade na “mistura” dos compostos do adjuvante na água. Essa dificuldade não significa que o produto não será eficiente em aplicações reais, mas necessita de uma melhor pré-mistura e maior agitação com a água, antes de serem adicionados os agroquímicos.
Efeitos de Aderência e Espalhamento
A folha da Couve, como também a folha da Banana, possuem sobre a sua superfície uma grande camada de serosidade, que é uma proteção natural contra insetos, calor, perda de água, dentre outras.
Na foto abaixo é possível visualizar a folha da Couve inserida na água. Nitidamente acontece a formação de uma coloração prateada sobre a folha, um claro sinal da forte hidro-repelência pela serosidade.
Na foto abaixo, após a imersão em somente água a folha sai totalmente seca, pois as gotas não aderem na folha devido a forte hidro-repelência.
Nas fotos abaixo uma folha de Couve apresenta uma excelente "filmagem" (aderência), após a sua imersão na calda condicionada por um bom adjuvante.
Esse efeito visual é o esperado quando testamos um bom adjuvante de calda.
É importante mencionar que a imersão das folhas de Couve ou da Banana deve ser feita apenas uma vez na calda condicionada, pois somente dessa forma, "mergulhando apenas uma vez" a folha dentro da calda, é que realmente identificamos o bom adjuvante.
Qualquer adjuvante, bom ou ruim, se mergulhar mais de uma vez na calda, 3 ou 4 vezes, vai conseguir formar o "filme adesivo" sobre a folha.
A Simulação das Gotas
Na foto abaixo podemos visualizar as gotas de água sobre a superfície serosa da folha de Couve. Devido a extrema serosidade, a área de contato entre as gotas e a superfície foliar é muito pequena, dificultando a absorção dos produtos aplicados. Além disso não existe o "efeito aderência" e qualquer movimento (pelo vento) nessa folha, todas as gotas depositadas serão derrubadas diretamente para o solo.
Nas fotos abaixo, uma simulação de deposição de apenas uma gota condicionada sobre uma folha de Couve. É possível observar na sequência das fotos, o excelente "efeito de espalhamento e aderência" sobre a superfície foliar.
Redução e Controle da Espuma nas Pulverizações
Durante o processo de enchimento do tanque do pulverizador é muito comum a formação da espuma em grandes quantidades, devido a dissolução dos defensivos agrícolas na água e durante a agitação da calda, ocasionando significativas perdas dos ingredientes ativos pelo derramamento, muitas vezes diretamente para o solo, com grande risco de contaminação dos locais de preparo da calda, do lençol freático, da equipe operacional e do meio ambiente.
No vídeo abaixo, é possível constatar o bom efeito do controle da espuma, quando são adicionadas gotas de um eficiente adjuvante na calda.
Redução da Deriva nas Pulverizações
Levando-se em consideração que esses produtos geralmente são oferecidos aos produtores para serem utilizados em condições extremamente adversas (altas temperaturas, baixa umidade relativa e constantes rajadas de vento), é necessário que sejam realizados dois tipos de avaliação do controle da deriva.
- Avaliação do controle da deriva em laboratório (ambiente controlado);
- Avaliação do controle da deriva em simulações de pulverização em campo.
Nas fotos abaixo, utilizando uma bancada de testes de pontas de pulverização, é possível visualizar na primeira foto um ponta de pulverização de jato tipo cone vazio aplicando na pressão de 60 psi, produzindo gotas com classificação de tamanhos finas para muito finas, muito suscetíveis às perdas pela deriva nas pulverizações.
Na foto abaixo, é possível visualizar o total controle da deriva e uma maior definição dos jatos de pulverização (homogeneidade do tamanho das gotas) após a adição do excelente adjuvante de calda de última geração.
No vídeo abaixo, beneficiado pela linha de alimentação da calda "condicionada" pelo excelente adjuvante, aos 16 segundos do vídeo, o bico de pulverização (lado esquerdo) inicia a formação mais definida e mais nítida do jato. Aos 50 segundos o segundo bico de pulverização (lado direito) tem o seu jato de pulverização e o total controle da deriva também melhorado pelo adjuvante de calda.
Vídeo abaixo: Na simulação de pulverização (base água), utilizando uma ponta de jato tipo cone vazio, é possível visualizar as gotas finas em suspensão no ar, sendo levadas pelo vento até distâncias indeterminadas (00:00 a 00:37). Após a adição do adjuvante de calda "Redutor de Deriva" é possível visualizar uma rápida redução dos riscos de perdas das gotas finas pela deriva e pela evaporação (00:37 a 01:15). O adjuvante “misturado” na calda da pulverização possibilita um maior tempo de vida para as gotas finas, que evaporam menos, mantendo o seu peso e a sua velocidade de queda, atingindo os alvos mais rapidamente. Os riscos de perdas por deriva e evaporação são mínimos.
Nas fotos abaixo é possível visualizar o efeito real de controle da deriva das gotas finas, produzidas por uma ponta de pulverização de jato tipo cone vazio, através do comparativo entre a aplicação da calda somente em "base aquosa" e após o condicionamento da calda por um excelente adjuvante "protetor de gotas".
Foto abaixo: As perdas por deriva e evaporação das gotas chegam a 40% do total dos agroquímicos aplicados em base aquosa.
Foto abaixo: Através da análise visual é possível observar o total controle da deriva após a adição do adjuvante na calda de pulverização.
A matéria técnica apresentada é um resumo de um "Treinamento em Tecnologia de Aplicação de Adjuvantes" recentemente ministrado para um grupo de consultores técnicos, engenheiros agrônomos e pesquisadores da área agrícola.
Agradecimentos especiais às empresas fabricantes de adjuvantes de calda nacionais e internacionais que permitiram a divulgação das fotos referentes às avaliações de seus adjuvantes de calda.
Parabenizo essas empresas fabricantes nacionais e internacionais de adjuvantes pelo grande profissionalismo de suas equipes técnicas, pela continuada busca de soluções para o desenvolvimento de bons adjuvantes que efetivamente atendam às necessidades dos produtores agrícolas.
Informações Profissionais:
Manoel Ibrain Lobo Jr .'. é Engenheiro Agrônomo, consultor em tecnologia de aplicação de agroquímicos, ministrando cursos, treinamentos, palestras e realizando avaliações de pulverizadores autopropelidos, pulverizadores tratorizados, turbo-atomizadores e bicos de pulverização para revendas agropecuárias, cooperativas agrícolas, usinas de cana-de-açúcar e outras empresas da área agrícola.
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